impressões jornalísticas

O impacto dos jornais na vida pública

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 30 30UTC Setembro 30UTC 2009

  No artigo "Cidades sem jornais", do American Journalism Review, Rachel Smolkin explora o impacto do desaparecimento dos jornais na vida dos cidadãos.

Smolkin cita o trabalho de dois economistas da Universidade de Princeton, Sam Schulhofer-Wohl e Miguel Garrido, que divulgaram um relatório onde examinam como a vida pública seria afetada numa cidade sem nenhum jornal. Eles usaram a cidade de Cincinnati, em Ohio, como exemplo, uma vez que o seu jornal Cincinnati Post fechou em dezembro de 2007.

"O que mais me surpreendeu foi eu ter, de fato, encontrado evidência de que os jornais têm importância", disse Schulhofer-Wohl. Os economistas descobriram que até mesmo os menores jornais, como o Cincinnati Post, que tinha circulação de 27 mil cópias, podem ter um impacto considerável na vida pública.

Os pesquisadores concluíram que o fechamento do Cincinnati Post diminuiu o número de eleitores e o número de candidatos concorrendo a cargos na câmara municipal, comissão municipal e conselho escolar. Eles também descobriram que as chances dos então membros da câmera e da comissão municipal de permanecer nos seus cargos aumentou, escreve Smolkin.

Como muitos observadores previram o fim dos jornais, pequenas porém ambiciosas organizações online sem fins lucrativos apareceram em diversas cidades dos Estados Unidos para assumir o papel de cão de guarda, suplementar ou substituir as publicações tradicionais. Smolkin cita o site voiceofsandiego.org como exemplo.

O website tem apenas 11 funcionários, mas foi capaz de forçar a saída dos chefes de duas agências locais de redesenvolvimento. Um enfrenta acusações criminais, e o outro está sob investigação. O jornal online sobrevive principalmente através de doações e patrocínios corporativos, diz Smolkin.

 

Fontes:

- http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=pt-br/node/4293 (original)

- http://www.nber.org/papers/w14817

- http://ajr.org/Article.asp?id=4781

Justiça condena jornalistas por danos morais contra Fernando Collor

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 29 29UTC Setembro 29UTC 2009

Da Agência Brasil*

O juiz substituto de desembargador Renato Ricardo Barbosa, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), decidiu que a editora Dom Quixote, responsável pela revista Brasília em Dia, e os jornalistas Franklin Martins e Marcone Formiga devem pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais ao ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). O motivo foi uma entrevista de 2005 feita pelo jornalista Franklin Martins, então comentarista político da Rede Globo e hoje ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

A indenização deverá ser dividida pelos três réus, e a publicação deve abrir espaço para Collor com o mesmo tamanho da entrevista original.

Segundo nota divulgada pelo TJ, o texto da decisão afirma que “o político teve a honra e a imagem maculada depois de ter sido chamado de corrupto, ladrão e chefe de quadrilha”.

O ministro informou, por meio de sua assessoria, que vai recorrer da decisão. O jornalista Marcone Formiga, responsável pela editora Dom Quixote, também disse que vai recorrer da decisão, que deve ser questionada sob o ângulo da recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que extinguiu a Lei de Imprensa.

* A matéria foi alterada para correção de informação Edição: Lilian Beraldo

Fonte:

- http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/09/17/materia.2009-09-17.5718152636/view

Deputado move 44 processos contra veículos da imprensa brasileira – aquele do castelo, lembra?

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 29 29UTC Setembro 29UTC 2009

 

O deputado federal Edmar Moreira (PR-MG), notícia em todo o Brasil depois de revelada a existência de seu castelo, avaliado em 25 milhões de reais, move na Justiça de Minas Gerais 44 processos por danos morais contra meios de comunicação, informa a Folha de S. Paulo.

Edmar aciona veículos da imprensa mineira, como Estado de Minas e O Tempo, publicações segmentadas, como a Folha Universal, além de jornais e revistas de circulação nacional, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Veja e IstoÉ. O deputado ainda processa emissoras de TVs, como Band, SBT e Record, o site UOL (ligado ao Grupo Folha), jornalistas e apresentadores.

De acordo com a Folha de S. Paulo, dos 44 processos movidos pelo deputado, dois já foram julgados: um, contra a publicação Folha Universal, foi considerado procedente. O veículo foi condenado a pagar 30 mil reais de indenização e a dar espaço proporcional à notícia veiculada para a publicação da sentença. Outro, contra o jornal O Tempo, não foi aceito e Edmar terá que pagar mil reais pelos honorários e custos do processo. Nos dois casos, cabe recurso, acrescenta a Folha.

O parlamentar reclama que a “imprensa informava sobre o castelo e levantava suspeita de que ele o havia omitido das declarações de renda”, diz a reportagem da Folha da S. Paulo.

Fonte:

- http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=pt-br/node/5197

As confusões sobre autonomia pessoal no jornalismo

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 26 26UTC Setembro 26UTC 2009

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

       As discussões sobre a necessidade ou não de diploma para o exercício jornalístico "costumam confundir liberdade de expressão com liberdade de imprensa, e liberdade de imprensa com liberdade de empresa". Segundo o pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (Nemp) da Universidade de Brasília (UnB), Venício Lima, essa confusão ficou evidente durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou ontem (17) com a exigência do diploma de jornalista para quem exerce a profissão.

Lima disse que a confusão ficou mais evidente nos momentos em que advogados e ministros partiam da falsa premissa de que "os jornalistas seriam os senhores de suas pautas”. “Quem assistiu ao julgamento notou que as condições reais da autonomia passaram longe das discussões. Até mesmo o advogado da Fenaj [Federação Nacional dos Jornalistas] cometeu esse equívoco durante a defesa, quando questionou a dispensa do diploma sob o argumento de que a profissão seria o quarto poder. Isso é falso porque esse poder nunca pertenceu aos profissionais, mas às empresas.”

Para o pesquisador, “ficou a impressão de que toda essa discussão [ocorrida no STF] estava no vazio, uma vez que, nos últimos 40 anos – durante a vigência da Lei de Imprensa – nunca os jornalistas tiveram tal independência”. Por esse mesmo motivo, Lima acredita que a dispensa de diploma para a prática jornalística não trará grandes mudanças para a imprensa brasileira.

“O jornalista já funcionava como um profissional qualquer. Só que as pessoas muitas vezes ignoram o fato de que esse exercício profissional era feito em empresas que têm, como quaisquer outras empresas capitalistas, sua ética e seus objetivos voltados para o lucro”, afirmou.

Lima defende que o estudo da ética como disciplina, comum aos cursos de jornalismo, não representa uma garantia de que o exercício profissional da atividade seja realizado de forma ética. “Não haverá necessariamente prejuízos éticos porque formação e diplomas não garantem ética nas atitudes do indivíduo”, argumenta.

Já as corporações sindicais ligadas a jornalistas e às empresas de ensino que formam jornalistas terão, segundo o pesquisador, prejuízos sensíveis a partir da decisão do STF. “Apesar de provocar poucas alterações para o exercício jornalístico no país, a decisão do Supremo afetará diretamente as corporações sindicais e as empresas de educação que fabricam jornalistas em escolas pouco qualificadas”, disse.

“A exemplo do que ocorre em outros países, a imprensa não poderá abrir mão de pessoas qualificadas. Por isso não acredito em demissões. Isso representaria a piora significativa da qualidade do material jornalístico”, disse.  Para Lima, o público brasileiro é bem mais esclarecido do que o da década de 1980 e, com isso, os veículos estarão atentos para não comprometer a qualidade de sua produção e a efetividade dos processos comunicativos com o público.

Reproduzido da Agência Brasil:

- http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/18/materia.2009-06-18.6212489840/view

A autocrítica jornalística: o cargo de Ombudsman

Publicado em blog, jornalismo por Sérgio Campos Gonçalves em 24 24UTC Setembro 24UTC 2009

Na imprensa brasileira, o cargo de Ombudsman foi criado em 1989 pelo jornal Folha de SP. Sua função é criticar o que é produzido no jornal, através de uma perspectiva que concilia a do jornalista profissional e, principalmente, do público leitor.

Esses dias, o atual Ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva (bom jornalista, autor do livro “O Adiantado da Hora: a influência americana sobre o jornalismo brasileiro”, que eu li e recomendo), foi sabatinado em São Paulo por quatro entrevistadores. Entre outros assuntos, Carlos Eduardo criticou a postura dos jornalistas, acusando-os de arrogância, prepotência e de não aceitar críticas.

A Folha SP disponibilizou em vídeo a sabatina. Confira:

- http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u624827.shtml (link do vídeo).

 

Fontes:

- http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2209200922.htm (sobre o cargo de Ombudsman)

- http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2209200921.htm

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