impressões jornalísticas

Justiça por acontecer na F1: a nova chance de Barrichello

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 1 01UTC Abril 01UTC 2009

Acho que não estou enganado em sentir uma vibração diferente na F1 e, principalmente, vindo dos brasileiros que acompanham o esporte.

Tudo começou com a novela da vaga na Honda, que desapareceu e depois virou Brawn GP. Sentia que havia uma torcida velada por Rubens Barrichello. Mas a imprensa brasileira, em geral (os programas de “humor” estão incluídos”), não a veiculava com destaque, talvez, por sentir  vergonha e remorso pelos anos em que humilhou Barrichello por ele não suprir a falta do insubstituível Ayrton Senna.

Parece-me que, agora, há um senso de justiça que está no ar, ainda por acontecer. E o motivo é a nova oportunidade do Barrichello com um carro competitivo e sem a situação que vimos na Ferrari.

É como uma mistura explosiva da a culpa pela imensa e irracional pressão que o Brasil exerceu sobre Rubinho depois que Ayrton Senna morreu e com a esperança que os brasileiros jamais deixaram de ter em sentir novamente aquele conjunto de sensações inexplicáveis quando Senna estava na pista. Estou certo que, daqui em diante, todos acompanharão atentamente a temporada de 2009 para ver se a tal expectativa de justiça será ou não realizada. Aliás, justiça dele, Rubinho, com a história do esporte – e não com o que fizeram com ele, pois isso é imperdoável.

Espero que dê tudo certo para Rubinho, e, pessoalmente, penso que todos precisam ver isso acontecer. Um piloto honesto, talentoso e determinado alcançar seus objetivos depois de tantos anos de persistência contra tantas situações adversas seria mais que uma bela história. Seria justo, simplesmente justo.

Afinal, é isso que o esporte deve ser: que vença o melhor, e isso vai além de chegar em primeiro. Tanto é assim que os números do heptacampeão Michael Schumacher superam os de Senna, mas em qualquer país é unanimidade que o alemão jamais foi o que Senna é para o automobilismo mundial. E Rubens Barrichello tem esse potencial, essa esportividade e essa história inspiradora e de superação que, talvez, é mais rara que o reconhecimento e o sucesso. Resta vencer e convencer, pois, merecer, ele merece.

Por fim, é inevitável imaginar o quanto Ayrton Senna teria ficado orgulhoso por Barrichello se o tivesse acompanhado durante esses anos, se tivesse presenciado as dificuldades que ele atravessou sem perder a esportividade, sem deixar de ter honestidade e esperança.

Vivo, é certo que hoje seria um amigo valioso para ajudar Barrichello a ter inspiração e força para enfrentar mais esse capítulo de sua carreira. Como Senna não está aqui, Rubens Barrichello precisará tirar forças de outras fontes para a temporada de 2009 que ainda está para se fazer. No entanto, a força, o talento e as outras qualidades que fazem de um piloto um campeão ele já provou possuir ao longo dos anos. Então, que justiça seja feita.

Indicações:

- http://www.planetf1.com/story/0,18954,3502_1019490,00.html (inglês)

- http://www.blogdocapelli.com.br/2009/03/barrichello-ja-e-o-5%C2%BA-maior-pontuador-da-historia/