impressões jornalísticas

Morre o Deep Throat (Garganta Profunda), a fonte jornalística do escândalo de Watergate

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 21 21UTC Dezembro 21UTC 2008

Aos 95 anos, morreu nos EUA W. Mark Felt, o ex-diretor do FBI que se tornou a fonte jornalística mais famosa da história. Por três décadas, Felt escondeu-se sob o apelido de  Deep Throat, a fonte que deu valiosas informações para que Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, prosseguissem em suas investigações no caso Watergate, que derrubou Richard Nixon da Presidência americana em 1974.

Para saber mais sobre o caso e sua importância para o jornalísmo investigativo, indico dois artigos que escrevi para a revista Ensaios de História:

  1. O Caso Watergate: Marco Histórico do Jornalismo Investigativo. Ensaios de História, Franca: Faculdade de História, Direito e Serviço Social - UNESP, v. 10, n. 1, p. 95-106, 2005. ISSN 1414-8854.

  2. Collor e Watergate: uma análise comparativa. Ensaios de História, Franca: Faculdade de História, Direito e Serviço Social - UNESP, v. 10, n. 2, p. 191-198, 2005. ISSN 1414-8854.

Como não há nenhuma versão digitalizada desses textos, e caso não tenham acesso aos artigos impressos, recomendo também o Obtuário de Mark Felt publicado no Washington Post. Lá vocês encontrarão links sobre a história do caso Watergate e de sua cobertura investigativa.

Já que o assunto voltou às manchetes, prometo que em breve vou digitalizar os artigos e integralmente disponibilizá-los na internet.

Em 22 de dezembro, o Museu de Arte de Ribeirão Preto faz aniversário

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 17 17UTC Dezembro 17UTC 2008

Por Sérgio Campos Gonçalves *

Museu de Arte de Ribeirão Preto

Museu de Arte de Ribeirão Preto

Faltam alguns minutos para as crianças chegarem ao Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP). Renato, um dos monitores do museu, acordou com o pé esquerdo. Está num dia ruim. Faltam 30 minutos, e ele aguarda a chegada da próxima turma de crianças que vai orientar durante o passeio pelo MARP. Enquanto espera, conversa cabisbaixo com seus colegas, funcionários do museu, sem disfarçar a vontade de ter ficado em casa naquele dia. “Nesses dias não deveríamos ter que ir trabalhar”, resmunga.

O Trabalho

O ônibus escolar estaciona em frente ao MARP. As crianças chegaram. É decretado o fim do silêncio que dominava as escadarias do museu. Agora o zumzum comum aos recreios escolares é a trilha sonora do MARP. É hora de Renato trabalhar.

Quando bombas ainda caíam na Europa no final da Segunda Guerra, as instalações do museu escaparam da destruição.

Primeiro, as orientações preliminares. Não se separem da turma, não toquem nas obras, não levem dúvidas para casa. O passeio começa, e as obras captam os olhares das crianças. Mais do que simplesmente acompanhá-las, Renato discute com elas as impressões de cada trabalho, as idéias de cada artista. Ainda que tenha o dia todo pela frente, que as crianças sejam muitas enquanto Renato é só um, ele não se abate, vence com astúcia pelo sorriso. “O contato com o público é empolgante”, declara.

Ao final do passeio, quando a turma se despede e embarca no ônibus escolar para a volta, Renato está irreconhecível em relação ao início do expediente. Entre despedidas, sorri. E não esconde a admiração por seu público infantil: “Elas [as crianças] são muito interessadas, curiosas. E mais educadas que os adultos”, atesta.

O Prédio

Renato tem apenas 28 anos, quase nada em relação às paredes das salas que hoje abrigam obras no MARP. Elas estão lá desde 31 de dezembro de 1908, quando assistiram ao baile inaugural da primeira sede da Sociedade Recreativa.

Entre os bailes, festas e jogos, o prédio passou por sucessivas ampliações, até 1935, quando atingiu as proporções que hoje conhecemos. E quando bombas ainda caíam na Europa no final da Segunda Guerra, as instalações do Museu escaparam da destruição: em 1945, o Conselho Deliberativo da Sociedade Recreativa aprovou a construção de uma nova sede que substituiria o prédio antigo, destinado a ser demolido, pois foi considerado inadequado às necessidades do momento. A demolição, porém, não chegou a ser realizada. Em 1951, a Sociedade Recreativa iniciou um concurso para o projeto de construção da sua nova sede, em outro endereço.

O antigo local da Sociedade Recreativa passa a ser ocupado, 1956, pela Câmara Municipal de Ribeirão Preto, que desde 1917 funcionava no Palácio Rio Branco, juntamente com a Prefeitura.

As inúmeras repartições instaladas, como a Sala das Comissões, da Secretária, dos Secretários, da Presidência, o Arquivo e o Bar no andar inferior, além da Sala de Jornalistas, Sala dos Edis e Sala das Sessões do piso superior, desfiguraram o prédio e asfixiaram as paredes expectadoras das votações e discussões que ocorreram por lá até o ano de 1984, quando a Câmara Municipal foi transferida para o pavimento superior da Casa da Cultura.

O Museu

Com novo fôlego, após um restauro que devolveu as características originais da antiga sede da Sociedade Recreativa, o prédio ganhou outros ares em 22 de dezembro de 1992, quando foi inaugurado o Museu de Arte de Ribeirão Preto, o MARP. O objetivo inicial foi reunir todo o acervo do Salão de Artes de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo (SARP), pertencente à Prefeitura, e do Salão Brasileiro de Belas Artes (SABBART), adquiridas pelo bem público. Além disso, a direção do Museu pretendia reunir também obras doadas e promover a restauração do acervo.

Os anos se passaram, e além de perpetuar o SARP e o SABBART, o MARP tem hoje o projeto Acervo Permanente, que visa à valorização do seu acervo. No seu Curriculum Vitae estão várias exposições importantes, para a arte brasileira e mundial, como Panceti, Vaccarini e Portinari.

Após abrigar jogadores da Sociedade Recreativa e vereadores da Câmara Municipal, o público freqüentador do prédio em que agora é o MARP é bastante diversificado. Segundo Renato, o público que eventualmente visita o Museu aumenta a cada dia, e a razão apontada é a divulgação das exposições pela mídia. Mas a audiência de destaque, hoje, é formada por crianças. É de praxe que escolas do nível fundamental e médio agendem visitas de seus alunos às exposições.

Os Monitores

Quem visitar o MARP será acompanhado por Renato ou por um dos outros treze monitores, os quais trabalham como contratados ou voluntários.

Passaram os tempos em que a função da monitoria era apenas fiscalizar e zelar pelo patrimônio. No MARP que completa doze anos de vida, em 22 de dezembro, o acompanhamento de Renato e de seus colegas monitores tem a finalidade de aproximar o público da arte, informando-o. Para isso, é necessário que os monitores tenham preparo constante.

Todas as segundas-feiras, quando o MARP é fechado ao público, ocorrem reuniões com todos os funcionários, nas quais acontecem leituras sobre arte e temas relacionados às artes plásticas.

O corpo da monitoria, entretanto, não é formado por especialistas em arte. Segundo Renato, os monitores são capacitados para abrir discussões sobre arte com o público, e assim torna-lo mais íntimo do Museu. “Nenhum monitor se mantém no emprego sem envolvimento, que implica estudo, pesquisa, etc”, conclui.


* Sérgio Campos Gonçalves é historiador, jornalista e autor do livro “Collorgate: mídia, jornalismo e sociedade nos casos Watergate e Collor” (Rio de Janeiro: CBJE, 2008). Atualmente faz mestrado em História e Cultura Social no Departamento de História da UNESP (campus de Franca).

Ribeirão Preto tem índices extremos de raios ultravioleta, segundo INPE

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 17 17UTC Dezembro 17UTC 2008

Por Sérgio Campos Gonçalves *

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o ano de 2005 terá mais de 100 mil novos casos de câncer de pele.  A principal responsável é a radiação ultravioleta (UV) que, além do câncer, provoca também o envelhecimento precoce da pele.

Como se proteger da radiação solar:

  • Evite o sol no período entre 10 e 15 horas;
  • A face é o local mais freqüente dos cânceres de pele, proteja-a sempre. Não se esqueça de proteger os lábios e as orelhas;
  • Use chapéu, boné ou roupas que protejam a pele do sol;
  • Use sempre um filtro solar com fator de proteção solar (FPS) igual ou superior a 15;
  • Aplique generosamente o filtro solar pelo menos 20 minutos antes da exposição ao sol;

· Procure um médico se notar manchas na tua pele que estão se modificando, as que formam “cascas” na superfície ou sangram com facilidade, as feridas que não cicatrizam ou as lesões de crescimento progressivo.

Fonte: Ambulatório de Dermatologia Oncológica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Os números do INCA estão de acordo com a previsão da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cujos cálculos estimam 100 mil novos casos de câncer de pele por ano, no Brasil. Mas ainda que esse tipo de câncer seja o mais freqüente registrado no país, sendo 25% de todos os tumores malignos, a previsão para 2005 é preocupante. Pois, enquanto os cálculos para 2004 previam 86 525 novos casos, os números previstos para esse ano são de 118 840 casos de câncer de pele – um aumento de 37% em relação ao ano passado.

Se isso não bastasse, de acordo com o Programa Estadual de Prevenção a Destruição da Camada de Ozônio (PROZONE), estamos cada vez mais expostos à radiação ultravioleta, em função dos buracos na camada de ozônio. Segundo dados do PROZONE, as medidas registradas em vários locais do mundo revelam que a camada de ozônio está diminuindo 4% por década, e tudo leva a crer que a incidência de raios ultravioleta irá aumentar.

O INCA informa, também, que o câncer de pele é mais comum em indivíduos com mais de 40 anos, sendo relativamente raro em crianças e negros, com exceção daqueles que apresentam doenças cutâneas prévias (veja Tabela de Tempo de Exposição Segura ao Sol*). Indivíduos de pele clara, sensível à ação dos raios solares, ou que já possuem doenças cutâneas, são as principais vítimas do câncer de pele. E como o Brasil situa-se geograficamente em uma área de alta incidência de raios solares, nada mais previsível e explicável do que a alta ocorrência do câncer de pele entre nós.

Esses números são especialmente alarmantes para a região de Ribeirão Preto, cujos índices de raios ultravioleta registrados são extremos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Enquanto a média – em uma escala de 0 a 14 – recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) oscila entre 2 e 5, em Ribeirão Preto o registro dos últimos quatro dias marcou 12 e 13.

Sinais de Alerta para o Câncer de Pele

  • Crescimento de nódulo que se ulcera e sangra facilmente;
  • Mancha que arde, descama e sangra sem causa aparente;
  • “Pinta” ou “sinal” que muda de cor, tamanho, espessura ou contornos;
  • Feridas sangrentas que não cicatrizam.

Fonte: Divisão de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Problema Mundial

Segundo a Dra Cacilda da Silva Souza, dermatologista e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, em decorrência da progressiva ascensão da mortalidade por doenças crônico-degenerativas, o câncer assume significativas dimensões e, dessa forma, se constitui um problema de saúde pública mundial. “A principal causa é a radiação ultravioleta contida na radiação solar”, afirma. Ela acrescenta que além da radiação ultravioleta, solar ou artificial, ser o principal fator dos tumores cutâneos, é também responsável pelo envelhecimento precoce da pele.

Apesar da grande incidência do câncer de pele, um fator tranqüilizador: 90% dos tumores de pele são curáveis, desde que diagnosticados precocemente, segundo Dra Cacilda. “A cirurgia executada por médicos especialistas, ainda, é o método mais adequado para tratamento dos tumores cutâneos nas fases iniciais”, observa.

Radiação Ultravioleta

Em geral, a radiação é a energia que vem do sol através da propagação de ondas, e é o comprimento dessa onda que a caracteriza como ultravioleta ou, por exemplo, infravermelho. Segundo o PROZONE, a radiação UV torna-se importante por ser responsável por inúmeras seqüelas nos seres vivos. E além de causar o câncer de pele, a doença mais citada pelos médicos, tem efeitos indesejáveis também na visão. Pois pode produzir a catarata e diminuir as defesas do organismo.

Bronzeamento Artificial

Enquanto o Sol é a fonte natural de raios UV, as câmaras de bronzeamento são as fontes artificiais. Segundo a Dra Cacilda da Silva Souza, “o mito de beleza da “cor bronzeada” pode ter conseqüências desastrosas e irrecuperáveis para a pele”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é a responsável pela regulamentação e fiscalização dos estabelecimentos que utilizam a cabine de bronzeamento. As quais são obrigadas, por lei, à avaliação médica prévia e à exposição de avisos alertando sobre os danos da radiação UV em indivíduos de risco.

*Tabela de Tempo de Exposição Segura ao Sol (UV-B), Sem Queimar, em Minutos (Valores Médios)

Valor do índice UV-B*

Pele muito branca

Pele moreno-clara

Pele moreno-escura

Pele negra

0-2

30

60

90

120

3

20

47

70

90

4

15

32

50

75

5

12

25

40

60

6

10

22

35

50

7

8,5

19

30

40

8

7,5

17

26

35

9

7

15

24

33

10

6

14

22

30

11

5,5

13

20

27

12

5

12

19

25

13

4,5

11

18

23

14

4

10

17

21

15

3,5

9

15

20

*O índice de UV-B é fornecido pelo INPE/Laboratório de Ozônio, e corresponde à intensidade da radiação UV-B medida.

Fonte: Laboratório de Ozônio do INPE – http://www.dge.inpe.br/ozonio/indexdicas.html



* Sérgio Campos Gonçalves é historiador, jornalista e autor do livro “Collorgate: mídia, jornalismo e sociedade nos casos Watergate e Collor” (Rio de Janeiro: CBJE, 2008). Atualmente faz mestrado em História e Cultura Social no Departamento de História da UNESP (campus de Franca).

Sem saber, brasileiros pagam juros até em compras à vista

Publicado em Uncategorized por Sérgio Campos Gonçalves em 17 17UTC Dezembro 17UTC 2008

Por Sérgio Campos Gonçalves *

Brasil é um dos campeões em taxas de juros; a conta é da população

Em uma mão, uma lista de compras; na outra, um jornal informativo de supermercado. É na ponta do lápis que a dona-de-casa Maria Teresa Gonçalves observa e compara os preços dos supermercados. Uma vez por semana ela vai às compras, visto que o orçamento de sua residência é sustentado pelo marido, que é autônomo e não tem renda mensal definida.

Há 11 anos, quando os preços subiam diariamente, antes do Plano Real, suas compras eram mensais. Mesmo com a inflação, o dinheiro era mais acessível. “Naquela época parecia que a gente trabalhava e via mais o dinheiro. Tinha a inflação, mas também recebíamos mais. Hoje parece que o dinheiro sumiu”, lembra.

Maria Teresa não está equivocada ao dizer que o dinheiro sumiu, e isto se relaciona com a inflação de antigamente e com a taxa de juros de hoje. Segundo Ângelo Gurgel, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP-Universidade de São Paulo, diminuir o poder aquisitivo da população é uma estratégia para conter a inflação. Isso acontece em função dos altos juros. ”A taxa de juros alta segura o consumo e o investimento na economia. As pessoas querem vender, mas não tem quem compre. Assim são obrigados a abaixar o preço para tentar vender”, explica.

“Na minha opinião é um tiro no pé”

Ângelo Gurgel

A taxa jurássica

Embora o conhecimento sobre o significado da inflação seja consenso entre os brasileiros, o mesmo não acontece com a taxa de juros: há 11 anos ela atua despercebida no cotidiano.

“O brasileiro não tem a prática de calcular qual a taxa de juros que ele está pagando”, observa Gurgel. Segundo o professor, a população é indiferente à taxa de juros e muito mais preocupada em adequar o valor da compra ao seu orçamento – ainda que a soma das parcelas supere o preço à vista.

À exemplo disso, a representante de telemarketing, Juliana Angelini Gonzaga, afirma que tem o hábito de efetuar compras a prazo. “Mesmo pagando mais caro no final, no meu caso compensa. À vista eu não tenho dinheiro”, revela. Entretanto, ela admite que nunca pára para pensar no valor das taxas. “Os anúncios nem mencionam os preços com juros, eles falam o preço à vista, e o número das parcelas”.

Em contrapartida, Maria Teresa reclama dos altos juros e prefere a compra à vista. “Comprar à vista exige disciplina. Prefiro guardar o dinheiro e pagar mais barato, além de não ficar devendo”.

“Taxa alta de juros quem paga é o consumidor, não tem conversa”

Vicente Golfeto

Juros à vista

Gurgel afirma que o consumidor, indiretamente, sempre acaba pagando juros, mesmo quando compra à vista. Estas taxas embutidas no preço do produto se refere, contudo, àquela estabelecida pelo Banco Central do Brasil, a chamada taxa Selic.

São as indústrias, notadamente, que sentem os impactos do alto valor da Selic em seus custos de produção. O setor industrial, por sua vez, repassa esse custo aos preços que o consumidor final paga.

“Taxa alta de juros quem paga é o consumidor, não tem conversa”, concorda o Diretor Titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da CIESP-Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Antônio Vicente Golfeto. Ele acrescenta que a taxa de juros alta inibe o crescimento, que produziria empregos. Dessa forma, quanto maior for a Selic, em relação à remuneração das indústrias, menor será a remuneração em salários.

De acordo com Gurgel, o Brasil é um dos campeões em taxas de juros. Ou seja, aqui se paga um custo financeiro mais alto que em outros países. Mesmo em países de economia menos desenvolvida, a taxa de juros é menor. “Na minha opinião é um tiro no pé. Quando a economia volta a crescer, freiam o crescimento com a taxa de juros. Isso tem a ver com nossa história de altas taxas de inflação, durante a década de 80. A prioridade do governo hoje é segurar a inflação, depois vem o crescimento”, declara.

Vicente Golfeto acredita que o problema dos juros altos é mais uma questão de ordem político-administrativa que econômica. A má administração, o excesso de gastos e a corrupção deixam finanças do governo federal no vermelho. Em outras palavras, o governo gasta mais que arrecada.

Tal situação, por sua vez, obriga o Banco Central a buscar alternativas para captar mais recursos e, assim, tentar solucionar o problema. “O Banco Central é um administrador de conseqüências. As causas não dependem dele”, observa. O governo vai cavando os buracos do orçamento público, enquanto que o Banco Central tenta tapá-los. A única alternativa é subir a Selic, emprestando dinheiro a juros altos.

Para Golfeto, as causas das altas taxas de juros, desse modo, não estariam no Banco Central, mas na Câmara e no Congresso. “O governo solta o busca-pé, o Banco Central corre atrás para segurar”, conclui.


* Sérgio Campos Gonçalves é historiador, jornalista e autor do livro “Collorgate: mídia, jornalismo e sociedade nos casos Watergate e Collor” (Rio de Janeiro: CBJE, 2008). Atualmente faz mestrado em História e Cultura Social no Departamento de História da UNESP (campus de Franca).

Etiquetado como:, ,

Cultura e Sociedade de Consumo: um olhar em retrospecto

Publicado em Acadêmicos por Sérgio Campos Gonçalves em 17 17UTC Dezembro 17UTC 2008

Por Sérgio Campos Gonçalves *

Introdução

“Os homens criam as ferramentas,

As ferramentas recriam os homens”

Marshall McLuhan

Assim como o homem criou a sociedade, a sociedade recriou o homem. Assim como o homem criou a indústria, a indústria recriou o homem. Esta pesquisa tratará da cultura de massa, criação humana, e de seus reflexos sobre seu criador, notadamente no que diz respeito à compreensão da sociedade de consumo.

Através da perspectiva histórica, a proposta deste texto é observar como a cultura de massa contribui para a manutenção, reprodução e sobrevivência da sociedade de consumo em massa. Para isso, contextualizaremos a gênese e o desenvolvimento da chamada Cultura de Massas retrospectivamente, focando-a em três períodos: o Século XVIII, o século da Revolução Industrial, do Iluminismo e da Revolução Francesa; o Século XIX, século da economia de mercado, da urbanização; e o Século XX, século no qual emerge a sociedade de consumo e da cultura de massas. A periodização utilizada visa a facilitar ao leitor a compreensão do desenvolvimento histórico da sociedade de consumo e da cultura de massas.

O caráter exploratório e contextualizador deste estudo tem a intenção de fornecer um arcabouço teórico para a compreensão da importância atual dos meios de comunicação dentro das sociedades de consumo.

Para ler o artigo completo em arquivo .PDF, CLIQUE AQUI.

FONTE:

GONÇALVES, Sérgio Campos. Cultura e Sociedade de Consumo: um olhar em retrospecto. InRevista, Ribeirão Preto: Núcleo de Produção Científica em Comunicação – UNAERP,v. 3, n. 5,  p. 18-28, 2008. ISSN 1980 6418.

* Sérgio Campos Gonçalves é historiador, jornalista e autor do livro “Collorgate: mídia, jornalismo e sociedade nos casos Watergate e Collor” (Rio de Janeiro: CBJE, 2008). Atualmente faz mestrado em História e Cultura Social no Departamento de História da UNESP (campus de Franca).